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"Disseram-me: verás quando tiveres cinqüenta anos. Tenho cinqüenta anos: não vi nada". Erik Satie



























avant-dernières pensées
31.12.06

Feliz mundo novo

Meu pianista viajou. Liguei pra um outro pianista que eu amo, pro celular. Perguntei logo, como sempre pergunto: "Ei, vc tá ocupado?" Ele: "Não, errrr, sim... to dando banho na minha filha que nasceu ontem". Eu: "Opa! então vai lá, era pra saber se vc quer tocar comigo no sabado, mas vc tá de bebezinho pequeno". E ele: "Claro que vou, tenho que ir, né?". E foi. Telefonou pra casa umas mil vezes durante a gig.

Encontrei outro amigo hj, falamos sobre a vida de músico, ele disse: "Pô, cinco horas depois de o meu primeiro filho nascer eu estava na palco. Não tenho a menor idéia do que eu toquei naquela noite. Showzao de horas. Só queria saber de voltar pra casa, mas pô, tem que tocar, né? A grana e tal, mó perrengue".

Outro amigo meu, também músico, enviuvou novinho e tá lá, amarradão, tomando conta dos dois meninos, parrudos, felizes, meio perdidos e amarradões com ele. Parece que vai dar tudo certo. Tá dando.

O outro amigo músico apareceu hj, na noite da Lagoa, com a filhinha de dois anos. Ele, que sempre ficou até o bar fechar, foi embora logo que ela começou a chorar, com soninho: "Tenho que ir, sabe como é?" Sei.

Meu cunhado é o pai mais fofo do mundo, inventou personagens incríveis, como a Horácia, e conta as histórias que a minha sobrinha mais ama e que todo mundo quer ouvir. Ela fala, orgulhosa: "´Déia, eu amo o camarão co creme que o meu pai faz". Ela tem 5 anos. Ele tem 50.

Meu amigo A. levou a mim e ao filhão no melhor japa do mundo e depois foi lá, nos Parlapatões, amarradão, tarde clara e linda em Sampa. À noite quase não se demorou, pois precisava render a baby sitter.

Isso tudo, meninas, pra dizer que eles mudaram. Que podemos agora parar de reclamar disso. E nós? Mudamos?











Feliz mundo novo pra todas nós!

3:43 AM Comments:

27.12.06

As velhidades do porvir

1 - Filas nos banheiros femininos são verdadeiras instituições mundiais. As mulheres dizem umas para as outras: "Ah, a gente não pode ir a primeira vez, chope é terrível!" A outra, super animada, como se nunca tivesse pensado nisso, responde: "É mesmo, né? Chope é uma coisa!" E continuam nessa conversinha de velhas novidades até que a fila ande, literalmente... Quando a fila anda, elas se despedem, cordialmente. Ah, o Rio de Janeiro, que cidade realmente fofa!

2 - Todo pós-data-nobre tem as perguntas em tom solene, que nunca sei bem como responder: "Como foi de natal?" "Como foi de Ano Novo?", "Como foi de carnaval?". Ora, e como poderia ser? O que há para acontecer? Quando a gente é adolescente tem muito mais pra responder: "Muleeeeke, foi iraaaaaaado!" E aí a gente contava coisas incríveis que nunca tinham nos acontecido na vida. Ficar grande é chato demais, diz meu amado Edu Rangel na linda canção Bicicleta.

Abraços afetuosos em todos os meus queridos que dedicam um precioso tempo de suas vidas lendo essas linhas, mal traçadas, mas de coração. Feliz tudo para todos vocês, cada um com seu cada qual (adoro essa expressão!).


Monet - Antes do amanhecer

1:16 AM Comments:

23.12.06

Pumpkin pie é o cacete! Viva a cultura nacional!

To há dias matutando uma transformação na receita de uma torta de abóbora que comi num natal do passado nos EUA. Pensei, pensei e, depois de ler várias receitas, resolvi inventar a minha. Estão no forno, neste instante, duas pequeninhas em forminhas de empada e uma tortona, em forma de fundo móvel, pro dia 24 com a família. As pequenas fiz pra mim, pra nao atacar a grande e só desatracar quando chegasse nosso amargo fim!

Fiz assim:

Massa:
Uma xícara beeem cheia de farinha de trigo
meia xícara de castanha do pará, que triturei no liquidificador
100gr de manteiga sem sal, gelada
duas ou três colheres de sopa de água gelada

se eu tivesse laranjas em casa, teria raspado a parte amarela da casca e misturado na massa, mas fica pra proxima...

Atenção para o ponto da massa, sinta nos dedos, mas tente nao colocar a mão demais. Misture os ingredientes com uma espátula de madeira, e toque só quando for necessário dar aquela finalizada. Segredo pra massa ficar crocante...

Recheio:
- uma abóbora hokaido de uns 30 cm de diâmetro, lavada, partida em pedaços com casca e tudo e cozida no microondas por 25 minutos. A polpa fica hiper macia e vc raspa aquele creminho da casca, com uma colher ou com a ajuda de um garfo
- uma lata de leite condensado
- meio pacote de coco em flocos sem açúcar
- pimenta jamaica moída na hora, pitadas fartas
- pimenta do reino moída na hora, pitadas comedidas
- noz moscada moída na hora, colher de chá cheia
- canela em pó, uma colher de sopa rasa
- gengibre fresco ralado na hora, uma colher de sopa bem cheia
- dois ovos inteiros batidos e misturados com tudo até fazer um cremão (depois que comi acho que deveria ter batido as claras em neve... se fizer, me conta)


Deixar a massa na geladeira por uns 15 minutos, abrir na forma de fundo móvel e rechear com o creme de abóbora. Salpicar com a castanha do pará que sobrou no fundinho do liquidificador e levar ao forno por 40 minutos, pelo menos... enfie a faca, veja se sai seca e tal, aquele papo...
ainda nem provei, nao sei se prestou, mas individualmente, massa e creme ficaram alucinantes!

Daqui a pouco eu conto! e mostro a foto!

UAU!!!!! O gosto... olha, incrível! Imaginei servir isso com aquele creminho gelado de catupiry diluído com creme de leite, sabe? Aquele que serve com o suflê de goiabada...

Observações e correções: pode levar mais um pouco de todos os condimentos, menos gengibre. A torta fica pouco doce. Eu acho perfeita. A castanha do pará dá um toque incrível pra combinação. Pensei em bater as claras em neve, mas deu preguiça. Bem-feito, teria ficado mais levinha!

As provas do crime:




nhami

12:01 AM Comments:

22.12.06

It's a wild world

Minha irmá me aplicou* com música clássica, com ELP, com Renaissance e com o Cat Stevens. Eu amava Cat sobre todos os outros. Sei de cor todas as músicas dos LPs que ela tinha. Father and son fazia parte do meu repertório de barzinho e violão, chorei ouvindo Trouble, oh, trouble set me free e tenho certeza de que era meio nova demais pra entender outras complexidades que ele tinha.

Cat, aka Yusuf, acaba de lançar discao novo, cujo nome nem sei. E, sinceramente, entre tantos milhões de discos neste mundo, este é o único que me dá vontade de comprar. Alías, é o que vou fazer com meu cachê de sábado. A grana nem vai sair do caixa...

* sorry sis, Teresa Stratas e Kurt Weill vão ficar prá proxima encarnação...

Ele era assim:


Ficou assim:


5:03 AM Comments:

17.12.06

só por hoje

tenho tudo que quero e amo tudo que tenho


cornucopia: abundância e fertilidade. By Jim Shore

4:43 AM Comments:

5.12.06

Pague pra entrar, reze pra sair

Meu amigo Marcos, que mora em Londres, me conta pelo msn que a última moda na Europa é ser brasileiro. As mulheres querem homens brasileiros, os homens querem mulheres brasileiras, os homens querem homens brasileiros, as mulheres querem mulheres brasileiras, uma loucura! Mas eu quase morri de rir quando ele contou que todas as cantoras fingem ser brasileiras e bossa-nova de raíz, desde criancinha... E que num mega evento de moda, o produtor recrutou cantoras brasileiras e apareceram várias espanholas e italianas, com português podre, FINGINDO serem brasileiras. E que lá pelas tantas elas foram desmascaradas pelo produtor que tinha namorado um brasileiro e sabia tudo sobre o jeitinho idem.

Senão vejamos. Estamos em pleno momento de Tourist, um singelo filme de terror que mostra turistas americanos jovens e belos vindo passar férias no Brasil e sendo drogados, sequestrados, sodomizados, seviciados e esfolados por bandidos. O trailler mostra a lourinha gostosa presa por cordas num altar ritual na floresta gritando "I wanna go hooooooome". Se não é isso, pareceu ser. O Brasil resiste, felizmente, à Cancunização de seu turismo. Isso já espanta essa laia de turista que quer sugar o "clima" da cidade, mas de longe, da piscina do hotel. As cidades têm que ser lindas, maravilhosas, seguras, limpas, ter bons serviços e profissionais pra todo mundo. E só pra terminar o papo, meu amigo Marcos lembra que se filme de terror espantasse turista, Nova York estaria às moscas. Bem lembrado, Marcos. Ainda não vai ser desta vez que Copacabana vai esvaziar...


adoro essa capa!

4:38 PM Comments:

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